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Tarifaço: Alckmin diz que redução de taxas pelos EUA está na 'direção correta', mas 'distorção' ainda precisa ser corrigida


EUA reduziram tarifas de importação para cerca de 200 produtos, como café e carnes. Para o Brasil, taxas caíram de 50% para 40%. Países concorrentes estão com taxas menores.

Por Isabella Calzolari, g1 — Brasília

O vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, classificou neste sábado (15) como "positiva" e na "direção correta" a redução de taxas pelo governo de Donald Trump. Ele afirmou que o governo "continuará trabalhando" para que as tarifas caiam ainda mais.

Os Estados Unidos reduziram as tarifas de importação de cerca de 200 produtos alimentícios, incluindo café, carne, açaí e manga, na noite desta sexta-feira (14). Para o Brasil, as taxas, de maneira geral, caíram de 50% para 40%.

Para Alckmin, a tarifa de 40% para uma série de produtos brasileiros, como o café, ainda é uma "distorção", que precisa ser "corrigida" com as negociações.

"A última ordem executiva do presidente Trump foi positiva e na direção correta", afirmou. "Foi positiva. Vamos continuar trabalhando. Conversa do presidente Lula com Trump foi importante no sentido da negociação e, também, a conversa do chanceler Mauro Vieira com o secretário Marco Rubio", acrescentou o vice-presidente.

"Há uma distorção que precisa ser corrigida. Todo mundo teve 10% a menos. Só que, no caso do Brasil, que tinha 50%, ficou com 40%, que é muito alto. Você teve um setor muito atendido que foi o suco de laranja. Era 10% e zerou. Isso é US$ 1,2 bilhão. Então zerou, ficou sem nenhum imposto. O café também reduziu 10%, mas tem concorrente que reduziu 20%. Então esse é o empenho que tem que ser feito agora para melhorar a competitividade", completou Alckmin.

  • O governo brasileiro informou que, com a decisão de Trump desta sexta, o percentual das exportações brasileiras para os Estados Unidos não sujeitas a tarifas adicionais passou de 23% para 26%.

  • Com isso, cerca de US$ 10 bilhões das exportações brasileiras para os EUA estão isentas de tarifas.

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a medida de Trump se aplica a 80 itens agrícolas vendidos pelo Brasil aos Estados Unidos. Porém, somente quatro produtos – três tipos de suco de laranja e castanha do pará – ficam isentos de taxas.

Conforme a entidade, os outros 76 itens, que incluem carne bovina e café, tiveram redução de tarifas, mas ainda vão enfrentar 40% de taxa para entrar no mercado americano.

Nota VM – Alguns analistas alertam que o estoque dos grandes importadores de café nos Estados Unidos, tem previsão de zerar entre novembro e dezembro. Isso vai elevar muito o preço ao consumidor. A pergunta é “americano vai conseguir ficar sem o nosso café?” – uma vez que o café brasileiro é base do sabor para as grandes cafeterias.

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